Existem professores que marcam a trajetória dos seus alunos. E existem alunos que, inspirados por essas experiências, decidem seguir o mesmo caminho.
Na Medicina, em que o aprendizado acompanha toda a vida profissional, essa relação ganha um significado especial: quem hoje aprende pode, amanhã, ser responsável pela formação de outros médicos.
A história da Dra. Letícia Barcellos de Mendonça é um exemplo desse ciclo. Com experiência anterior em Cirurgia Geral e Pediátrica, ela encontrou na Dermatologia uma nova possibilidade de realização profissional.
A mudança na carreira teve como um dos principais capítulos a pós-graduação da Inspirali Pós Medicina, instituição à qual retornaria posteriormente como professora e coordenadora regional.
A trajetória da Dra. Letícia também mostra como a experiência clínica enriquece a educação médica. Afinal, ensinar exige conhecimento técnico, atualização permanente, capacidade de comunicação e sensibilidade para compreender as necessidades de quem está aprendendo.
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Neste Dia do Professor, conversamos com a Dra. Letícia sobre sua trajetória, os desafios de conciliar o consultório com a sala de aula e os caminhos para médicos que desejam ingressar na docência.
Acompanhe:
Lucas Flores: A senhora já esteve do outro lado da sala de aula, como aluna da Inspirali Pós Medicina, e hoje atua como professora e coordenadora regional. Como aconteceu essa transição e em que momento percebeu que gostaria de seguir também a carreira docente?
Dra. Letícia: Eu já tinha experiência anterior como preceptora na área de cirurgia, com bastante contato com estudantes de Medicina e médicos residentes, principalmente nas atividades práticas, como ambulatórios e procedimentos cirúrgicos.
Sempre gostei de compartilhar conhecimento, pois acredito que ensinar também nos estimula a buscar atualização e aprimoramento constantes.
A pós-graduação em Dermatologia da Inspirali teve um papel fundamental na minha formação como dermatologista e na minha transição de carreira dentro da Medicina.
Acredito que a união dessa experiência prévia com a vivência como aluna da própria instituição me proporciona uma visão mais ampla do processo de ensino, permitindo compreender tanto a perspectiva do docente quanto as expectativas e necessidades dos alunos.
Lucas Flores: Como a experiência como aluna influencia a sua maneira de ensinar atualmente? Há algo que aprendeu com seus professores e que procura reproduzir na formação dos seus alunos?
Dra. Letícia: Ter sido aluna da própria instituição me ajuda a compreender melhor as dificuldades e necessidades dos alunos, tornando meu olhar mais atento a essas questões.
Além disso, tive a oportunidade de aprender com excelentes professores, que se tornaram referências para mim, tanto pela competência profissional quanto pela forma de transmitir conhecimento.
Procuro seguir esses bons exemplos na minha atuação como docente, buscando sempre aperfeiçoar minha maneira de ensinar e contribuir para a formação dos alunos.
Lucas Flores: Muitos médicos têm interesse em dar aulas, mas não sabem por onde começar. Quais são os primeiros passos para quem deseja ingressar na docência médica? Que experiências, qualificações ou habilidades a senhora considera importantes?
Dra. Letícia: Acredito que o primeiro passo seja desenvolver uma boa relação médico-paciente, baseada na empatia, no respeito e na capacidade de ouvir e compreender o outro. Essas habilidades também são fundamentais na relação entre professor e aluno.
Outro ponto essencial é manter-se em constante atualização, com dedicação ao estudo, especialmente porque a Medicina evolui muito rapidamente.
Ter uma formação médica sólida, desde o início da faculdade, e buscar uma especialização consistente na área em que se deseja atuar também são aspectos muito importantes.
Acredito que uma boa formação, aliada à experiência prática e à vontade de compartilhar conhecimento, seja a base para quem deseja seguir a docência médica.
Lucas Flores: Ser um bom médico significa necessariamente ser um bom professor? Quais competências precisam ser desenvolvidas por quem deseja compartilhar seus conhecimentos e ensinar outros profissionais?
Dra. Letícia: Acredito que ser um bom médico é uma base muito importante para se tornar um bom professor, mas também é necessário desenvolver a capacidade de transmitir conhecimento e compartilhar experiências.
Saber ouvir os pacientes, estabelecer uma relação de confiança e empatia e compreender cada paciente como um todo são habilidades fundamentais, especialmente na Dermatologia, em que diversos fatores podem influenciar a saúde e as manifestações clínicas.
Considero muito importante transmitir essa visão mais ampla e individualizada aos alunos, incentivando não apenas o conhecimento técnico, mas também um olhar atento e humano sobre cada paciente.
Além disso, manter-se em constante estudo e atualização é essencial, tanto para o exercício da Medicina quanto para a docência.
Lucas Flores: É possível iniciar uma carreira como docente de Medicina enquanto se mantém uma rotina de atendimentos no consultório? Como a senhora concilia a prática clínica, as atividades de ensino e as responsabilidades de coordenação?
Dra. Letícia: Sim, é possível conciliar todas essas atividades, mas acredito que, acima de tudo, é preciso gostar muito do que se faz.
A prática clínica e a experiência diária no consultório contribuem muito para as atividades de ensino, pois permitem compartilhar com os alunos situações reais, experiências e conhecimentos adquiridos ao longo da carreira.
Além disso, estar próxima dos alunos me permite compreender melhor suas necessidades e dificuldades, o que também contribui para minha atuação na coordenação, ajudando a aprimorar a organização e o funcionamento das aulas, especialmente das atividades práticas.
Lucas Flores: A educação médica exige atualização constante e metodologias que aproximem a teoria da realidade profissional. Como a senhora prepara suas aulas e transforma as experiências do consultório em oportunidades de aprendizagem?
Dra. Letícia: Acredito que utilizar casos clínicos reais como exemplos facilita muito o aprendizado dos alunos, pois permite aproximar o conhecimento teórico da prática médica.
Como costumo dizer aos alunos, a experiência prática que oferecemos na pós-graduação em Dermatologia da Inspirali, tanto nos ambulatórios de Dermatologia Clínica quanto nas atividades cirúrgicas e de Cosmética, é muito semelhante à realidade do dia a dia de um consultório dermatológico.
Essa vivência é fundamental para o aprendizado, pois permite que os alunos desenvolvam conhecimento, experiência prática e, principalmente, mais segurança para enfrentar as situações que encontrarão em seus próprios consultórios.
Lucas Flores: Ensinar outros médicos, que muitas vezes já têm experiência profissional, apresenta desafios específicos. Como despertar o interesse desses alunos, lidar com diferentes níveis de conhecimento e estimular a participação nas aulas?
Dra. Letícia: É muito interessante perceber a diversidade de formação e de experiências profissionais entre os alunos. Cada um chega à pós-graduação com uma trajetória e um nível de conhecimento diferente.
Acredito que começar pelos conceitos básicos é sempre importante, pois estamos formando profissionais especializados e precisamos construir uma base sólida de conhecimento.
Também procuro estimular os alunos a continuarem estudando após as aulas, tanto para fixar os novos conteúdos quanto para que possam trazer dúvidas, participar das discussões e aprofundar cada vez mais seu aprendizado.
E acompanhar essa evolução ao longo do curso, percebendo o desenvolvimento do conhecimento e da segurança de cada aluno, é uma das experiências mais gratificantes da docência.
Lucas Flores: Além da satisfação de compartilhar conhecimentos, de que maneira a docência contribuiu para o seu próprio desenvolvimento como médica? A experiência como professora modificou sua forma de atender os pacientes ou de compreender a Dermatologia?
Dra. Letícia: A docência me estimula a estar sempre em busca de atualização e aprimoramento profissional. Ensinar também é uma forma de aprender e de aprofundar constantemente nossos conhecimentos.
Na Dermatologia, considero fundamental compreender o paciente como um todo, levando em conta sua história, seus hábitos, seu estilo de vida e o momento que está vivendo, pois diversos fatores podem influenciar diretamente sua saúde.
A Dermatologia é uma das especialidades médicas com maior diversidade diagnóstica, abrangendo mais de 3 mil doenças que podem afetar a pele, os cabelos, as unhas e as mucosas.
Essa complexidade exige um olhar amplo, atenção aos detalhes e atualização constante, aspectos que a experiência como professora reforça e valoriza ainda mais na minha prática clínica.
Lucas Flores: Hoje, além de professora, a senhora é coordenadora regional de Dermatologia Clínica e Cosmética no Rio Grande do Sul. Como essa responsabilidade ampliou sua visão sobre a formação médica? Qual é a importância de manter professores que também atuam na prática clínica?
Dra. Letícia: Acredito que seja fundamental contar com uma excelente equipe de docentes. Nossos professores são profissionais atuantes, com experiência prática e especialização nas áreas da Dermatologia em que lecionam, o que contribui muito para a qualidade do ensino.
Como mencionei anteriormente, temos uma grande diversidade de alunos, muitos deles já com experiência profissional, vindos de outras especialidades médicas ou até mesmo atuando na Dermatologia há mais tempo.
Isso faz com que tenhamos um grupo de alunos bastante exigente, o que considero muito positivo, pois nos estimula a buscar atualização constante e a manter um cuidado especial na seleção e na qualificação da nossa equipe de professores.
A experiência na coordenação reforçou ainda mais minha percepção sobre a importância de reunir profissionais que, além do conhecimento teórico, vivenciam diariamente a prática clínica e conseguem transmitir aos alunos essa experiência.
Lucas Flores: Neste Dia do Professor, que conselho daria ao médico que tem vontade de ensinar, mas ainda não se sente preparado para assumir uma sala de aula? E qual foi o momento mais marcante da sua trajetória como docente até agora?
Dra. Letícia: Meu conselho é que busque uma formação sólida, especialize-se na área em que deseja atuar, estude e se prepare constantemente. É importante construir uma carreira com dedicação, cuidado e muita responsabilidade, mas, acima de tudo, ter satisfação e realização naquilo que faz.
Tenho dois momentos que me marcaram muito nessa trajetória.
O primeiro foi a conquista do título de especialista em Dermatologia. Apesar de ser meu terceiro título de especialista, considero essa conquista especialmente marcante, pois consolidou uma importante mudança na minha carreira médica. Antes, atuava como cirurgiã geral e pediátrica, e foi como aluna da pós-graduação da Inspirali que iniciei essa transição para a Dermatologia, uma especialidade na qual encontrei uma nova realização profissional.
O segundo momento foi o convite para assumir a coordenação regional da pós-graduação em Dermatologia Clínica e Cosmética no Rio Grande do Sul. Receber esse convite da instituição que teve um papel tão importante na minha formação e na transformação da minha trajetória profissional foi motivo de muita satisfação e orgulho.
É muito especial poder contribuir hoje, como professora e coordenadora, para a formação de outros médicos na mesma instituição que fez parte de uma mudança tão significativa na minha própria carreira.
A trajetória da Dra. Letícia Barcellos de Mendonça mostra que a carreira médica pode seguir diferentes caminhos ao longo do tempo. A experiência acumulada no atendimento aos pacientes, a busca por novos conhecimentos e o interesse em compartilhar aprendizados podem abrir oportunidades para quem deseja atuar também na educação médica.
Sua história ganha um significado particular por reunir diferentes momentos de uma mesma jornada: a médica que decidiu explorar outra especialidade, a aluna que encontrou referências em seus professores e a docente que hoje contribui para a formação de outros profissionais.
Na Inspirali Pós Medicina, essa conexão entre o ensino e a experiência assistencial faz parte da proposta de formação, que valoriza o contato com situações reais, o desenvolvimento de habilidades práticas e a proximidade entre professores e alunos.
Neste 15 de outubro, a Inspirali Pós Medicina homenageia os professores que compartilham seus conhecimentos, suas experiências e seu tempo para contribuir com a formação de outros médicos.
Afinal, a Medicina exige uma vida inteira de aprendizado. E quem escolhe ensinar encontra novas oportunidades de continuar aprendendo.
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