Skip to content
Ciência Aplicada

Canetas emagrecedoras: Ozempic, Mounjaro, Ozivy, TG e outras opções

Canetas emagrecedoras em alta: entenda como Ozempic, Mounjaro, Ozivy e outros medicamentos atuam, suas diferenças, indicações e riscos.

Lucas Flores
Lucas Flores 22/07/2026 · 26 min de leitura
 

Conteúdo atualizado em 26 de agosto de 2026

Ouça este conteúdo
33:30

 

Poucos medicamentos ganharam tanto espaço na prática médica — e fora dela — em tão pouco tempo. As chamadas canetas emagrecedoras, inicialmente associadas ao tratamento do diabetes tipo 2, tornaram-se protagonistas de uma das principais mudanças recentes na abordagem farmacológica da obesidade.

Semaglutida, tirzepatida e liraglutida estão entre os princípios ativos mais conhecidos. Porém, embora sejam frequentemente agrupados como caneta para emagrecer, apresentam mecanismos, indicações e perfis de segurança diferentes.

Mas o que realmente muda para o médico na prática clínica? E como oferecer um tratamento seguro e alinhado às novas evidências?

Neste artigo, você vai entender como esses fármacos atuam, conhecer as principais canetas emagrecedoras disponíveis e suas indicações, além de compreender a situação das chamadas canetas do Paraguai.

Leia também:

A nova era dos análogos hormonais no tratamento da obesidade

 

Durante décadas, o tratamento da obesidade esteve fortemente associado a mudanças alimentares e à prática de atividade física. Essas medidas continuam fazendo parte do cuidado, mas a compreensão da doença avançou.

Hoje, a obesidade é reconhecida como uma doença crônica, complexa e multifatorial, influenciada por fatores genéticos, ambientais, metabólicos e neuroendócrinos.

A própria Organização Mundial da Saúde passou a recomendar terapias baseadas em GLP-1 como uma das possibilidades para o tratamento de longo prazo da obesidade em adultos, sempre dentro de uma abordagem abrangente.

É nesse cenário que os agonistas de GLP-1 ganharam protagonismo. Esses medicamentos mimetizam a ação de hormônios envolvidos na regulação do metabolismo e atuam em diferentes mecanismos relacionados ao controle do peso.

Entre seus efeitos estão o aumento da saciedade, a redução da ingestão alimentar, o retardo do esvaziamento gástrico e a melhora do controle glicêmico.

Segundo a Dra. Marcela Pessoa, médica endocrinologista da equipe Inspirali, esse avanço representa uma mudança importante na forma como a obesidade é abordada:

 Os agonistas de incretinas revolucionaram o manejo da obesidade. 

Entre os principais medicamentos GLP-1 estão a semaglutida e a liraglutida, que atuam como agonistas do receptor de GLP-1.

A tirzepatida amplia essa lógica ao agir simultaneamente sobre os receptores de GIP e GLP-1, combinando duas vias hormonais relacionadas à regulação metabólica.

A OMS já inclui semaglutida, liraglutida e tirzepatida entre as terapias consideradas em suas recomendações para o tratamento de longo prazo da obesidade em adultos.

Para a Dra. Marcela, a evolução dos tipos de canetas emagrecedoras também demonstra uma compreensão mais aprofundada da própria fisiopatologia da obesidade.

A especialista afirma que os novos tratamentos atuam sobre mecanismos que ajudam a explicar por que mudanças no estilo de vida, embora fundamentais, nem sempre conseguem sustentar isoladamente uma perda de peso significativa no longo prazo.

E a evolução continua. Novos fármacos em investigação buscam atuar sobre múltiplos alvos fisiológicos, como a retatrutida, que combina agonismo de GLP-1, GIP e glucagon, além de moléculas como CagriSema, survodutide, orforglipron e MariTide. A perspectiva é ampliar as possibilidades terapêuticas e oferecer abordagens cada vez mais individualizadas.

Essa evolução, porém, exige acompanhamento médico. O crescimento do uso desses medicamentos, inclusive fora das indicações aprovadas e sem supervisão profissional, levou a OMS a reforçar em julho de 2026 a necessidade de prescrição adequada e acompanhamento dos pacientes.

Como ressalta a Dra. Marcela, o avanço farmacológico deve integrar uma estratégia mais ampla de cuidado. A obesidade é uma condição crônica e seu tratamento pode exigir acompanhamento contínuo, associado a mudanças no estilo de vida e ao manejo das comorbidades.

Quer se aprofundar no tema? O Guia de A a Z — Hot Topics na Medicina, da Inspirali, disponibiliza gratuitamente o artigo completo da Dra. Marcela Pessoa. Baixe aqui!

Aproveite que está por aqui e também assista ao vídeo em que o Dr. Leonardo Fontelene Eksterman, docente da pós-graduação em Endocrinologia e Metabologia da Inspirali Pós Medicina reage a fatos e fakes sobre tratamento para obesidade:

 

 

Semaglutida: como funciona e para que serve?

A semaglutida é um análogo do GLP-1, hormônio envolvido na regulação da glicemia e do apetite.

Como agonista do receptor de GLP-1, atua em mecanismos que incluem o estímulo à secreção de insulina de maneira dependente da glicose, a redução da secreção de glucagon, o retardo do esvaziamento gástrico e a regulação da saciedade e da ingestão alimentar.

Essas características ajudam a explicar por que a semaglutida para emagrecer ganhou tanta relevância.

Porém, há uma distinção importante para a prática médica: semaglutida é o princípio ativo, enquanto as diferentes marcas possuem apresentações, doses e, principalmente, indicações aprovadas que podem ser distintas.

No Brasil, o cenário também está se diversificando. Além de Ozempic e Wegovy, novas marcas de semaglutida foram registradas pela Anvisa em 2026, ampliando as opções disponíveis ao médico e ao paciente.

A seguir, falaremos sobre as principais marcas encontradas atualmente no mercado:

Ozempic

Embalagem de Ozempic

 Foto: Chemist4U/flickr  

 O Ozempic é uma das marcas que ajudaram a popularizar a semaglutida no mundo. No Brasil, sua indicação aprovada está relacionada ao tratamento de adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, associado à dieta e aos exercícios.

Em 2026, a Anvisa também ampliou sua indicação para redução do risco de progressão da doença renal e morte cardiovascular em adultos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica.

A relação entre Ozempic e emagrecimento ganhou repercussão porque a perda de peso pode ocorrer durante o tratamento.

Isso explica o crescimento de buscas como Ozempic para emagrecer e Ozempic emagrece, mas exige atenção: o medicamento não corresponde à apresentação de semaglutida aprovada especificamente para o tratamento da obesidade.

O acompanhamento também é necessário devido aos possíveis efeitos colaterais do Ozempic. Eventos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, estão entre os mais conhecidos, além de outras reações e contraindicações que devem ser consideradas individualmente.

Wegovy

Embalagens de Wegovy

Foto: Nelson R. de Lima Filho/Wikimedia Commons 

O Wegovy também contém semaglutida, mas possui uma diferença regulatória importante em relação ao Ozempic: tem indicação aprovada no Brasil para controle do peso, incluindo perda e manutenção, em adultos com obesidade ou sobrepeso associado a pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso.

Essa diferença ajuda a entender por que falar genericamente em semaglutida para emagrecer pode gerar confusão. Ozempic e Wegovy compartilham o princípio ativo, mas possuem indicações e esquemas terapêuticos próprios.

As indicações do Wegovy também foram ampliadas. O medicamento passou a contemplar a redução do risco de eventos cardiovasculares adversos graves em determinados adultos com doença cardiovascular estabelecida e obesidade ou sobrepeso e, mais recentemente, o tratamento da esteato-hepatite associada à disfunção metabólica, a MASH, não cirrótica em adultos com fibrose moderada a avançada.

Ozivy

Embalagem de Ozivy

Foto: EMS/divulgação 

O Ozivy, desenvolvido pela EMS e registrado pela Anvisa em maio de 2026, ampliou ainda mais esse mercado. Trata-se da primeira caneta de semaglutida sintética análoga ao produto biológico liberada para comercialização no Brasil, após avaliação de eficácia, segurança e qualidade pela Agência.

Um dos diferenciais que vêm colocando o Ozivy em evidência é o preço mais baixo em relação ao Ozempic.

A chegada de uma alternativa nacional aumenta a concorrência e está contribuindo para ampliar o acesso à semaglutida, principalmente entre pacientes para os quais o custo representa uma barreira para iniciar ou manter o tratamento.

Há, contudo, uma questão que precisa ficar clara. Apesar do crescimento das buscas por Ozivy para emagrecer e Ozivy emagrece, sua indicação aprovada atualmente é para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado, como adjuvante à dieta e aos exercícios.

Usar o Ozivy para emagrecer configura uso off-label, ou seja, fora da indicação aprovada em bula. O uso off-label existe na medicina e pode ser justificável em determinadas circunstâncias, mas essa decisão cabe ao médico, caso a caso, após avaliar riscos, benefícios, evidências disponíveis e características do paciente.

Por isso, a maior facilidade de acesso não deve ser confundida com uma indicação para automedicação.

Para quem busca tratamento farmacológico da obesidade, a escolha do medicamento e da dose precisa ser discutida com o médico, considerando inclusive as opções que já possuem indicação aprovada especificamente para essa finalidade.

Semaclique, Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema: as novas semaglutidas

A oferta de medicamentos GLP-1 deve crescer ainda mais no Brasil. Em julho de 2026, a Anvisa registrou cinco novas apresentações sintéticas de semaglutida: Owozy, Seemasun, Zempneo, Semavy e Orsema. Os medicamentos foram registrados por comparação com o Ozempic e têm indicação para adultos com diabetes mellitus tipo 2 insuficientemente controlado.

Em agosto, a Agência aprovou também o Semaclique, da Germed, e a primeira versão genérica de semaglutida sintética, produzida pela EMS. Nesse caso, ambos utilizam o Ozivy como medicamento de referência.

A multiplicação dos nomes das canetas emagrecedoras disponíveis ou popularmente conhecidas por essa denominação torna a análise regulatória ainda mais relevante. Compartilhar o mesmo princípio ativo não significa compartilhar automaticamente a mesma indicação.

Para o médico, portanto, a chegada de novas opções e de alternativas potencialmente mais acessíveis amplia o arsenal disponível, mas também aumenta a responsabilidade de diferenciar princípio ativo, indicação aprovada, evidências, dose e perfil do paciente.

No tratamento da obesidade, essa avaliação individualizada é o que permite transformar a popularização da semaglutida em acesso seguro e adequado à terapia.

Tirzepatida: o que é e como funciona?

A tirzepatida representa uma evolução importante entre os medicamentos que atuam sobre as incretinas.

Diferentemente da semaglutida, que age especificamente como agonista do receptor de GLP-1, a tirzepatida atua simultaneamente sobre os receptores de GIP e GLP-1. Por isso, é classificada como um agonista duplo de ação prolongada.

Na prática, essa ação combinada interfere em diferentes mecanismos metabólicos. A tirzepatida aumenta a secreção de insulina de maneira dependente da glicose, reduz os níveis de glucagon, melhora a sensibilidade à insulina, retarda o esvaziamento gástrico e reduz a ingestão de alimentos. Também favorece a sensação de saciedade e a regulação do apetite, contribuindo para a redução do peso corporal.

Essas características ajudam a explicar o crescimento das buscas por tirzepatida para emagrecer.

Os resultados observados nos estudos clínicos colocaram o fármaco entre as opções farmacológicas mais eficazes disponíveis atualmente para o controle do peso.

No estudo SURMOUNT-1, por exemplo, a perda média variou entre 15% e 20,9% do peso corporal após 72 semanas, dependendo da dose utilizada.

Isso não significa, porém, que tirzepatida e semaglutida sejam medicamentos intercambiáveis ou que a escolha possa ser feita apenas com base no percentual médio de emagrecimento.

Mecanismo de ação, indicação aprovada, contraindicações, comorbidades, tolerabilidade e objetivos terapêuticos precisam ser considerados individualmente.

Atualmente, a marca Mounjaro é a única opção liberada para comercialização no Brasil. Saiba mais!

Mounjaro

Embalagem de MounjaroFonte: Eli Lilly/divulgação

O Mounjaro é o medicamento à base de tirzepatida registrado no Brasil pela Anvisa. Inicialmente, recebeu aprovação em 2023 como adjuvante à dieta e aos exercícios para melhorar o controle glicêmico de adultos com diabetes mellitus tipo 2.

Em junho de 2025, a Anvisa ampliou sua indicação. Desde então, o Mounjaro para emagrecer também pode ser utilizado para controle crônico do peso, incluindo perda e manutenção, em conjunto com dieta de baixa caloria e aumento da atividade física, em adultos com:

  • IMC igual ou superior a 30 kg/m², caracterizando obesidade;

  • IMC igual ou superior a 27 kg/m², quando houver pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, como hipertensão, dislipidemia, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular, pré-diabetes ou diabetes mellitus tipo 2.

Portanto, para quem pergunta o que é Mounjaro ou se o Mounjaro emagrece, a resposta exige essa distinção: ele foi desenvolvido inicialmente para o diabetes tipo 2, mas hoje também possui indicação formal aprovada pela Anvisa para o tratamento do excesso de peso dentro de critérios clínicos específicos.

Os efeitos colaterais do Mounjaro também precisam fazer parte da avaliação. Eventos gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia, estão entre os mais frequentes. A Anvisa também cita eventos relacionados à vesícula biliar, reações no local da aplicação, hipersensibilidade e outros efeitos que devem ser considerados durante o acompanhamento.

Assim como ocorre com outros medicamentos dessa classe, a prescrição deve fazer parte de uma estratégia de cuidado mais ampla. Dose, titulação, resposta clínica, tolerabilidade e continuidade do tratamento precisam ser avaliadas pelo médico ao longo do acompanhamento.

Mounjaro ou Ozempic: quais são as diferenças?

A comparação Mounjaro ou Ozempic tornou-se comum com a popularização das chamadas canetas emagrecedoras, mas os dois medicamentos apresentam diferenças relevantes.

A principal está no mecanismo de ação. O Ozempic contém semaglutida e atua sobre o receptor de GLP-1. Já o Mounjaro contém tirzepatida e exerce ação combinada sobre GIP e GLP-1. Essa diferença farmacológica ajuda a explicar os resultados distintos encontrados em estudos de controle glicêmico e perda de peso.

Também há diferença nas indicações aprovadas no Brasil. O Ozempic é indicado principalmente para o tratamento do diabetes mellitus tipo 2 e possui indicações adicionais relacionadas à redução de riscos em pacientes com doença renal crônica.

Para o tratamento da obesidade com semaglutida, uma das apresentações especificamente aprovadas é o Wegovy.

Já o Mounjaro possui aprovação tanto para diabetes tipo 2 quanto para controle crônico do peso nos pacientes que atendem aos critérios definidos pela Anvisa.

Por isso, perguntas como qual a melhor caneta para emagrecer ou qual caneta emagrece mais não devem ser respondidas apenas comparando números de perda de peso. Os resultados médios dos estudos são importantes, mas não determinam sozinhos a melhor conduta para uma pessoa específica.

A escolha entre Mounjaro ou Ozempic, ou entre tirzepatida e outras opções disponíveis, depende do diagnóstico, das indicações aprovadas, das comorbidades, das contraindicações, do risco de eventos adversos, da resposta ao tratamento e dos objetivos de cada paciente.

A decisão final deve ser individualizada e conduzida pelo médico, de acordo com os objetivos e as características de cada paciente.

E a liraglutida? Entenda a geração anterior de agonistas de GLP-1

Antes de semaglutida e tirzepatida ganharem os holofotes, a liraglutida já fazia parte da história das canetas utilizadas no tratamento da obesidade.

O medicamento pertence à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 e ajudou a consolidar essa via hormonal como alvo terapêutico para o controle do peso.

Assim como a semaglutida, a liraglutida imita a ação do GLP-1, hormônio relacionado à regulação do apetite e da ingestão calórica.

Sendo assim, a atuação favorece a saciedade e reduz a ingestão de alimentos, além de produzir efeitos sobre o metabolismo da glicose.

Uma diferença importante em relação às opções mais recentes está na frequência de administração. Enquanto semaglutida e tirzepatida são utilizadas semanalmente em suas principais apresentações injetáveis, a liraglutida é administrada uma vez ao dia.

A chegada de moléculas de ação mais prolongada e com resultados expressivos de perda de peso modificou seu posicionamento no arsenal terapêutico, mas a liraglutida continua sendo uma alternativa disponível.

Saxenda

Pessoa aplicando Saxenda

 Foto: 무난러/Wikimedia Commons 

O Saxenda é uma apresentação de liraglutida desenvolvida especificamente para o controle crônico do peso.

No Brasil, possui indicação para adultos com obesidade ou com sobrepeso associado a pelo menos uma comorbidade relacionada ao peso, em conjunto com dieta hipocalórica e aumento da atividade física.

Além disso, o uso também está aprovado para determinados adolescentes a partir dos 12 anos com obesidade e peso corporal acima de 60 kg.

Outros medicamentos com liraglutida

A liraglutida também está presente em medicamentos voltados ao diabetes tipo 2. É o caso do Victoza, além do Xultophy, que associa liraglutida à insulina degludeca.

Mais uma vez reforçamos: compartilhar o mesmo princípio ativo não significa possuir a mesma indicação terapêutica.

E, além dessas opções, o mercado brasileiro também começou a receber concorrentes sintéticos da liraglutida. Segundo a Anvisa, já existem cinco medicamentos com o princípio ativo registrados no país, de dois laboratórios diferentes, enquanto outros pedidos seguem em avaliação.

Canetas emagrecedoras do Paraguai: o que o médico precisa saber?

Canetas emagrecedoras do Paraguai apreendedidas pela Polícia FederalFoto: Polícia Federal/Divulgação 

O aumento da procura por canetas emagrecedoras do Paraguai criou um novo desafio para a prática clínica.

Produtos apresentados como versões de tirzepatida, muitas vezes vendidos por valores inferiores aos dos medicamentos regularizados no Brasil, passaram a circular com maior frequência entre pacientes brasileiros.

Para o médico, o primeiro ponto é regulatório: um medicamento autorizado no Paraguai não é automaticamente autorizado no Brasil.

O registro sanitário depende da avaliação da Anvisa, que analisa informações sobre composição, processo produtivo, controle de qualidade, eficácia e segurança antes de permitir sua comercialização no país.

A situação também exige cuidado com generalizações. A legislação brasileira prevê hipóteses específicas de importação de medicamentos por pessoa física para uso próprio, sujeitas às regras sanitárias aplicáveis.

Isso é diferente da entrada, venda ou distribuição irregular de produtos que tenham sido expressamente proibidos pela Anvisa. Portanto, não é correto classificar automaticamente toda posse ou uso como contrabando.

No caso de diversas canetas paraguaias, porém, a Agência já adotou medidas específicas de fiscalização. Ao longo de 2026, determinou apreensão e, conforme cada resolução, proibiu ações como fabricação, importação, comercialização, distribuição e uso de diferentes produtos sem registro sanitário no Brasil. Entre eles estão TG, Lipoless, Tirzec, Gluconex e Tirzedral.

Encontrar tirzepatida na caneta significa que ela é equivalente ao Mounjaro?

A resposta para essa pergunta é não! Essa dúvida ganhou relevância depois que análises conduzidas pelo Centro de Informação e Assistência Toxicológica da Unicamp identificaram tirzepatida em amostras de TG, Tirzedral, Lipoless, Tirzec e Gluconex. Os testes verificaram presença, concentração e estrutura molecular do princípio ativo.

A própria Anvisa alertou, porém, que esses resultados não demonstram equivalência terapêutica com medicamentos registrados no Brasil. Para isso, seriam necessários estudos específicos capazes de avaliar aspectos como composição, impurezas, esterilidade, biodisponibilidade, absorção, concentração sanguínea e eliminação do medicamento pelo organismo.

Também não foram avaliados pela análise citada contaminantes, degradação do produto, metais pesados ou as condições de fabricação das empresas. Assim, a presença de tirzepatida em uma amostra não permite concluir que determinada tirzepatida do Paraguai é segura, eficaz ou equivalente ao Mounjaro.

Há ainda um problema prático: medicamentos injetáveis dependem de fabricação estéril, transporte adequado e condições específicas de armazenamento.

De tal maneira, a quebra da cadeia de frio, produtos falsificados, procedência desconhecida e ausência de rastreabilidade podem adicionar riscos que não são identificáveis apenas observando a embalagem.

Qual deve ser a conduta do médico diante das canetas paraguaias?

Para quem atende pacientes interessados nesses produtos, a orientação deve começar pela procedência. O CFM e a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia recomendam verificar quem produz, quem prescreve e onde o medicamento é adquirido, além de reforçarem a necessidade de prescrição médica para o uso seguro dessas terapias.

O médico não deve prescrever, fornecer, aplicar ou endossar medicamentos cuja utilização esteja proibida pela Anvisa.

O próprio CFM publicou um alerta sobre a vedação ética e legal relacionada ao uso de tirzepatida e produtos manipulados sem registro regular na Agência.

Há, entretanto, uma diferença importante entre acompanhar o uso de um medicamento irregular e prestar assistência a um paciente que já o utilizou.

O médico não deve abandonar ou deixar de atender uma pessoa porque ela fez uso de uma dessas canetas.

Se houver sintomas, efeitos adversos ou complicações, cabe prestar a assistência necessária, avaliar os riscos e orientar a interrupção de produtos proibidos quando aplicável. O foco deve permanecer na segurança do paciente.

Na prescrição para obesidade ou diabetes, o caminho mais seguro é verificar o registro na Anvisa, o fabricante, a indicação aprovada e a procedência do produto, além de escolher entre medicamentos cuja qualidade, segurança e eficácia tenham sido avaliadas no Brasil.

Principais canetas emagrecedoras encontradas no Paraguai

Como dissemos, as canetas paraguaias não são liberadas para uso no Brasil! Porém, é importante que você, como médico, conheça as opções comercializadas no país vizinho.

O nosso objetivo aqui é orientar para que você possa prestar o atendimento adequado e saiba como proceder caso atenda algum paciente que utilize tais substâncias.

Lembre-se: o mais indicado é conduzir o paciente para suspensão desse tipo de medicamento. Depois, se for o caso, pode-se receitar uma opção regulamentada no Brasil.

No Paraguai, as principais marcas de canetas emagrecedoras são:

TG

A TG é um dos produtos paraguaios que se popularizaram entre brasileiros.

Em fevereiro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de todos os lotes de T.G. 10 mg e 15 mg produzidos pelo laboratório Landerlan. A medida integrou uma ação contra canetas sem registro sanitário no Brasil.

Por isso, a pergunta sobre se TG ou Mounjaro seriam equivalentes não pode ser respondida apenas comparando o princípio ativo informado na embalagem.

Mesmo quando há tirzepatida presente, isso não comprova equivalência farmacêutica ou terapêutica, tampouco permite concluir que a TG tirzepatida é segura.

Lipoless

O Lipoless é um medicamento produzido no Paraguai pelo Laboratorio de Productos Eticos e comercializado naquele país em diferentes concentrações de tirzepatida.

O próprio fabricante informa que o medicamento possui tirzepatida e necessita de conservação refrigerada entre 2 °C e 8 °C.

Isso, porém, não significa autorização brasileira. Em fevereiro de 2026, a Anvisa determinou a apreensão de apresentações de Lipoless produzidas pelo Laboratório Éticos por não possuírem registro no Brasil.

Portanto, um Lipoless do Paraguai não deve ser tratado pelo médico como substituto automaticamente equivalente ao Mounjaro.

Registro no país de origem e presença do mesmo princípio ativo são informações distintas da comprovação de equivalência exigida no Brasil.

Gluconex

O Gluconex também ganhou visibilidade como uma opção paraguaia associada à tirzepatida. Embora seu fabricante esteja se preparando para buscar registro no Brasil, até agosto de 2026 a Anvisa ainda não havia recebido esse pedido.

Além disso, em abril de 2026, a Agência determinou a apreensão do Gluconex e proibiu sua comercialização, distribuição, importação e uso no Brasil por ausência de registro, notificação ou cadastro.

Assim, eventual regularização no Paraguai ou uma futura intenção de solicitar registro brasileiro não altera sua situação atual.

Até que exista aprovação da Anvisa, Gluconex e Mounjaro não podem ser tratados como alternativas regulatoriamente equivalentes no Brasil.

Tirzedral e Tirzec

Outras marcas também aparecem nesse mercado. A Tirzedral foi alvo da mesma decisão da Anvisa que atingiu o Gluconex em abril de 2026, com proibição de comercialização, distribuição, importação e uso no Brasil.

Já o Tirzec 15 mg e Tirzec Pen 15 mg havia sido incluído anteriormente, em fevereiro de 2026, entre os produtos sem registro cuja apreensão foi determinada pela Agência.

O ponto comum entre TG, Lipoless, Gluconex, Tirzedral e Tirzec é especialmente relevante para o médico: o fato de um produto ser comercializado no Paraguai, informar tirzepatida na composição ou mesmo apresentar o princípio ativo em uma análise laboratorial não substitui o processo de registro sanitário brasileiro.

Ao conversar com pacientes sobre canetas emagrecedoras do Paraguai, portanto, a orientação deve ser clara sobre procedência, regularidade sanitária e riscos.

Para prescrever e conduzir o tratamento, o médico deve se limitar medicamentos regularizados pela Anvisa e opções cuja eficácia, segurança e qualidade possam ser verificadas dentro do sistema sanitário brasileiro.

Quais são os efeitos colaterais das canetas emagrecedoras?

Apesar dos benefícios observados no tratamento do diabetes e da obesidade, as canetas emagrecedoras podem causar efeitos colaterais. O perfil varia conforme o princípio ativo, a dose, as condições clínicas e a resposta individual do paciente.

Entre os eventos adversos mais frequentes dos agonistas de GLP-1 e de medicamentos relacionados estão os sintomas gastrointestinais, principalmente náuseas, vômitos e diarreia.

No caso da tirzepatida, também são descritos eventos relacionados à vesícula biliar, reações no local da aplicação, hipersensibilidade, tontura e, com menor frequência, pancreatite, desidratação e insuficiência renal aguda.

Por isso, conhecer os efeitos colaterais do Ozempic, do Mounjaro e de outros medicamentos da classe faz parte do acompanhamento. Alguns sintomas gastrointestinais podem surgir principalmente durante o início do tratamento ou o aumento da dose.

A titulação gradual prevista para cada medicamento ajuda a melhorar a tolerabilidade e não deve ser acelerada pelo paciente com o objetivo de potencializar o emagrecimento.

Existem, porém, sinais que exigem avaliação médica. Em fevereiro de 2026, a Anvisa reforçou o alerta para o risco de pancreatite aguda associado a medicamentos como semaglutida, liraglutida e tirzepatida.

De tal forma, sintomas como dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando irradia para as costas e vem acompanhada de náuseas ou vômitos, requer atendimento.

Diante da suspeita de pancreatite, a orientação da Agência aos profissionais é interromper o tratamento e não reiniciá-lo caso o diagnóstico seja confirmado.

Outras precauções dependem do princípio ativo e do paciente. Histórico clínico, doenças associadas, função renal e hepática, uso concomitante de outros medicamentos e contraindicações previstas em bula precisam ser avaliados antes e durante o tratamento.

A semaglutida, por exemplo, também passou a ter em bula a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica como evento adverso muito raro, após avaliação das autoridades sanitárias.

Esse perfil de segurança reforça a importância da prescrição e do acompanhamento. Desde junho de 2025, medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro são vendidos no Brasil com retenção da receita, medida adotada pela Anvisa diante do aumento de eventos adversos relacionados especialmente ao uso fora das indicações aprovadas e sem acompanhamento adequado.

E os efeitos colaterais da TG e outras canetas do Paraguai?

Aqui existe uma diferença importante. Não é adequado simplesmente atribuir à TG tirzepatida os efeitos colaterais conhecidos do Mounjaro ou fazer o mesmo com Lipoless, Gluconex, Tirzedral e Tirzec.

O perfil de segurança descrito nas bulas e nos estudos clínicos pertence aos medicamentos que efetivamente passaram pelos processos de desenvolvimento e avaliação correspondentes.

Produtos sem registro na Anvisa não podem ser considerados equivalentes apenas porque informam tirzepatida na composição.

A ausência de registro também adiciona outras incertezas. A Anvisa alerta que medicamentos não aprovados dificultam a rastreabilidade de eventos adversos e podem envolver problemas relacionados à falsificação, adulteração, procedência e administração. Em determinados produtos irregulares, a Agência afirma que não há garantia sobre conteúdo ou qualidade.

Portanto, para o médico, avaliar os riscos das canetas emagrecedoras começa antes mesmo dos possíveis efeitos farmacológicos: é necessário confirmar qual medicamento está sendo utilizado, seu registro na Anvisa, procedência, indicação, dose e condições de uso.

A segurança não depende apenas do princípio ativo, mas também da qualidade do produto e de uma prescrição individualizada, com titulação e acompanhamento adequados.

Afinal, qual é a melhor caneta para emagrecer?

A pergunta sobre qual a melhor caneta para emagrecer se tornou comum com a popularização de semaglutida, tirzepatida e liraglutida. A resposta, porém, depende de uma avaliação mais ampla do que simplesmente observar qual caneta emagrece mais nos estudos clínicos.

Hoje, os principais tipos de canetas emagrecedoras atuam por mecanismos diferentes.

A liraglutida e a semaglutida são agonistas do receptor de GLP-1, enquanto a tirzepatida atua simultaneamente nos receptores de GIP e GLP-1.

Também existem diferenças na frequência de aplicação, nas doses, nas indicações aprovadas e no perfil de segurança de cada medicamento.

Os estudos mostram resultados médios distintos de perda de peso, e a tirzepatida está entre as terapias que alcançaram reduções mais expressivas. Isso, isoladamente, não determina a melhor escolha para todos os pacientes.

O Mounjaro, por exemplo, possui indicação aprovada pela Anvisa para controle crônico do peso em adultos com obesidade ou com sobrepeso associado a determinadas comorbidades.

O Wegovy, à base de semaglutida, também possui indicação específica para controle do peso. Já outras marcas que contêm semaglutida podem ter aprovação apenas para diabetes tipo 2.

Por isso, conhecer apenas os nomes das canetas emagrecedoras não basta.

A escolha deve considerar fatores como IMC, presença de diabetes ou pré-diabetes, doença cardiovascular, apneia do sono, hipertensão, dislipidemia, histórico clínico, contraindicações, tolerabilidade, medicamentos em uso e objetivos terapêuticos.

O custo e a possibilidade de manter o tratamento também fazem parte dessa decisão.

Uma opção com excelente desempenho em estudos pode não ser a mais adequada se o paciente não tolerar seus efeitos adversos, apresentar contraindicação ou não conseguir manter a terapia pelo período necessário por questões financeiras.

Além disso, cada medicamento possui esquema próprio de início e titulação. A dose adequada deve ser definida e ajustada pelo médico conforme a resposta e a tolerabilidade do paciente, e não com base na experiência de outras pessoas ou em resultados divulgados nas redes sociais.

Assim, para definir qual a melhor caneta para emagrecer, o médico precisa combinar evidências de eficácia com indicação aprovada, segurança e características individuais.

A melhor opção será aquela que apresentar a relação mais favorável entre benefício e risco para aquele paciente e que possa ser incorporada a um acompanhamento de longo prazo.

Esperamos que este guia tenha sido útil para você! Se quiser continuar estudando sobre esses e outros temas relacionados, conheça os cursos da área de Saúde Metabólica e Perfomance da Inspirali Pós Medicina

 

O que são canetas emagrecedoras?

É o nome popular dado a medicamentos injetáveis que podem atuar no controle do peso, como os agonistas de GLP-1 e a tirzepatida. Nem todos os produtos conhecidos dessa forma possuem indicação aprovada especificamente para obesidade.

Como as canetas emagrecedoras funcionam?

Elas atuam em vias hormonais relacionadas ao apetite, à saciedade, à ingestão alimentar e ao metabolismo da glicose. O mecanismo varia conforme o princípio ativo.

Qual é a diferença entre semaglutida e tirzepatida?

A semaglutida atua como agonista do receptor de GLP-1. A tirzepatida possui ação combinada sobre os receptores de GIP e GLP-1.

Ozempic é indicado para emagrecer?

O Ozempic contém semaglutida, mas sua indicação aprovada no Brasil não é especificamente para o tratamento da obesidade. O uso para essa finalidade é off-label e depende de decisão médica individualizada.

Qual é a diferença entre Ozempic e Wegovy?

Ambos contêm semaglutida, mas possuem indicações e esquemas terapêuticos próprios. O Wegovy possui indicação aprovada para controle crônico do peso em pacientes que atendem aos critérios clínicos.

Ozivy pode ser usado para emagrecer?

O Ozivy contém semaglutida e possui indicação aprovada para diabetes tipo 2. Seu uso para emagrecimento é off-label e deve ser avaliado exclusivamente pelo médico.

Mounjaro é aprovado para emagrecimento?

Sim. O Mounjaro contém tirzepatida e possui indicação aprovada pela Anvisa para controle crônico do peso em adultos que atendem aos critérios estabelecidos.

Qual é a melhor caneta para emagrecer?

Depende do paciente. A escolha deve considerar indicação aprovada, condições clínicas, contraindicações, tolerabilidade, objetivos terapêuticos, evidências disponíveis e possibilidade de manter o tratamento.

Canetas do Paraguai, como TG e Lipoless, são seguras?

Esses produtos não possuem registro na Anvisa e não devem ser considerados equivalentes aos medicamentos regularizados no Brasil apenas por informarem o mesmo princípio ativo.

Canetas emagrecedoras precisam de receita?

Sim. No Brasil, medicamentos agonistas de GLP-1 utilizados para diabetes ou emagrecimento estão sujeitos à prescrição médica com retenção da receita. O acompanhamento também é importante para definir indicação, dose, titulação e monitorar possíveis efeitos adversos.

Lucas Flores
Escrito por Lucas Flores

Editor de conteúdo da Inspirali Pós Medicina | Graduado em Comunicação Social | Mestre e Doutorando em Letras