Gravidez após os 45 anos, inteligência artificial aplicada à Oncologia, um novo medicamento para prevenção da enxaqueca e os riscos escondidos no uso inadequado das canetas emagrecedoras.
Setembro trouxe assuntos que ajudam a entender para onde a Medicina está caminhando, mas também recuperou discussões que continuam muito presentes na rotina dos médicos: saúde mental, sexualidade, formação continuada e segurança do paciente.
No Radar Clínico de Setembro, reunimos algumas das notícias, pesquisas e conversas que movimentaram a área nas últimas semanas. Veja, a seguir!
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Maju Coutinho e o marido, Agostinho Paulo Mora (Foto: Instagram/reprodução)
A jornalista Maju Coutinho anunciou sua primeira gravidez aos 48 anos, reacendendo uma discussão importante sobre as possibilidades oferecidas pela Medicina Reprodutiva e os cuidados relacionados às gestações em idade materna avançada.
O avanço das técnicas de reprodução assistida ampliou as possibilidades de gestação em faixas etárias nas quais a fertilidade feminina já apresenta redução importante. A idade, porém, continua sendo um fator clínico relevante.
Hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e alterações cromossômicas estão entre as condições que demandam atenção. Isso torna ainda mais importante um pré-natal individualizado, considerando histórico, condições clínicas e características de cada gestação.
O caso de Maju também ajuda a lembrar aos médicos de diferentes especialidades que mudanças sociais e avanços da Medicina Reprodutiva estão modificando os perfis encontrados nos consultórios.
Quer entender melhor os cuidados relacionados à gravidez após os 45 anos? Leia a reportagem do jornal O Sul.
As chamadas canetas emagrecedoras se popularizaram rapidamente. Com elas, porém, também surgiram práticas inadequadas de administração dos medicamentos.
Uma delas merece atenção especial: a reutilização das agulhas utilizadas nas aplicações.
A recomendação é simples e precisa chegar ao paciente: cada aplicação exige uma agulha nova. Agulhas são materiais de uso único. A reutilização pode danificá-las, favorecer lesões e aumentar o risco de contaminação e infecção.
E uma infecção aparentemente localizada pode adquirir outra dimensão.
Em situações graves, ela pode desencadear sepse, caracterizada por disfunção orgânica potencialmente fatal decorrente de uma resposta desregulada do organismo à infecção.
Por isso, orientar o paciente sobre a técnica de aplicação também faz parte da segurança do tratamento. As agulhas não devem ser reutilizadas nem compartilhadas e precisam ser descartadas adequadamente depois do uso.
Até onde uma infecção pode evoluir e quais sinais exigem atenção? Leia nosso conteúdo sobre sepse no blog da Inspirali Pós Medicina.
O dia 6 de setembro ficou popularmente conhecido no Brasil como Dia do Sexo, a partir de uma campanha publicitária criada em 2008. Com o tempo, a data passou a servir também como oportunidade para discutir saúde sexual, consentimento e outros aspectos da sexualidade.
Para a Medicina, a discussão vai muito além de uma data no calendário.
Ana Canosa, psicóloga clínica, educadora sexual e coordenadora da Pós-Graduação em Sexualidade Clínica da Inspirali Pós Medicina, aponta três motivos que ajudam a explicar o interesse crescente dos médicos pelo assunto: a própria complexidade da sexualidade humana, a possibilidade de construir uma nova frente profissional ligada à Sexologia e a presença cada vez mais evidente de questões relacionadas à sexualidade nos atendimentos.
Desejo, dor, disfunções sexuais, relacionamentos, identidade, mudanças relacionadas ao envelhecimento e efeitos de doenças e medicamentos são alguns exemplos de temas que podem atravessar uma consulta mesmo quando a queixa inicial parece distante da sexualidade.
Por que esse conhecimento precisa fazer parte da formação médica? Leia a entrevista completa com Ana Canosa no blog da Inspirali Pós Medicina.
Durante o Setembro Amarelo, boa parte das discussões se concentra na saúde mental dos pacientes. Mas existe outra pergunta que merece espaço: como estão os profissionais responsáveis por cuidar deles?
Uma revisão narrativa publicada em 2025 na revista Debates em Psiquiatria analisou 32 artigos e mostrou a alta prevalência do burnout entre médicos. A literatura analisada associa o esgotamento profissional ao comprometimento do bem-estar e das relações pessoais, ao maior risco de erros médicos, à redução da qualidade do cuidado, ao absenteísmo e à maior intenção de abandonar a carreira.
O problema também não pode ser tratado somente como uma responsabilidade individual. A própria revisão destaca fatores como sobrecarga de trabalho, condições institucionais inadequadas e violência laboral, além da importância de intervenções estruturais.
Reconhecer os sinais de alerta, estabelecer limites e buscar suporte são partes dessa discussão. Instituições e serviços de saúde também precisam assumir responsabilidades sobre as condições em que o trabalho médico acontece.
Como reconhecer o esgotamento e encontrar maior equilíbrio entre a carreira e a vida pessoal? Leia nosso artigo sobre saúde mental dos médicos.
A partir dos dados do paciente, interface do software BreastOncoPredict avalia risco de recidiva, curva de sobrevida, impactos e apresenta resumo clínico de cada caso (Imagem: Jornal da USP/reprodução)
Um exame presente diariamente na prática médica pode ganhar uma nova função quando seus dados são analisados por inteligência artificial.
Pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP e do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo desenvolveram o BreastOncoPredict, ferramenta de IA que utiliza informações clínicas e dados do hemograma para estimar o risco de recorrência ou morte em pacientes com câncer de mama.
O modelo foi desenvolvido a partir de dados de 4.277 pacientes tratadas entre 2008 e 2022 e utiliza 16 variáveis para produzir estimativas de risco em diferentes períodos.
Entre os achados que chamaram a atenção dos pesquisadores está a contribuição de informações da série vermelha do hemograma, como o RDW, além de marcadores relacionados à inflamação e à resposta imunológica.
A proposta é particularmente interessante para a saúde pública porque explora informações já disponíveis na rotina assistencial, com potencial para reduzir a dependência de exames genômicos mais caros.
Por enquanto, cautela: a ferramenta ainda não está aprovada para uso clínico. O estudo é retrospectivo e os pesquisadores pretendem realizar validações prospectivas e externas antes de uma eventual aplicação mais ampla.
Leia a reportagem completa no Jornal da USP.
No dia 20 de setembro, Dia do Gaúcho, a Inspirali Pós Medicina apresentou um vídeo-manifesto sobre uma história que começou muito antes de sua nova unidade.
Porto Alegre ocupa um lugar importante na trajetória da instituição. É dessa relação que surge o mote Criada no Sul. Referência no Brasil., conectando as raízes gaúchas a uma atuação que hoje alcança médicos de diferentes regiões.
Agora, essa trajetória ganha outro capítulo.
A Inspirali Pós Medicina terá uma nova sede em Porto Alegre, na Rua Ramiro Barcelos, 442, no bairro Moinhos de Vento. O espaço foi concebido para ampliar as possibilidades de formação presencial, com estrutura para aulas, treinamentos, simulações clínicas, atividades hands-on e práticas com pacientes.
No blog, contamos mais sobre a história da Medicina em Porto Alegre, a relação da instituição com a cidade e o vídeo-manifesto apresentado no Dia do Gaúcho. Acesse!
Aquipta é o nome comercial do novo medicamento(Imagem: abbvie/reprodução)
A Anvisa aprovou em 8 de setembro o registro do Aquipta, nome comercial do atogepanto, medicamento oral indicado para prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro episódios mensais.
O medicamento atua como antagonista do receptor do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, o CGRP, uma via envolvida na fisiopatologia e na transmissão da dor relacionada à enxaqueca.
No estudo clínico ADVANCE, 910 participantes foram distribuídos entre diferentes doses de atogepanto e placebo. No grupo que recebeu 60 mg, houve redução média de 4,2 dias de enxaqueca por mês, diante de 2,5 dias no grupo placebo, ao longo das 12 semanas avaliadas.
A aprovação acrescenta uma alternativa oral direcionada especificamente a mecanismos relacionados à doença.
Confira os detalhes da aprovação divulgados pela Anvisa.
Plantões, consultório, hospital, família e uma rotina que raramente cabe em horários convencionais tornam essa pergunta especialmente relevante para quem decide fazer uma pós-graduação.
Foi considerando essa realidade que se desenvolveu, ao longo de três décadas, o modelo que hoje integra a Inspirali Pós Medicina: conteúdo digital aliado à prática presencial e uma formação planejada para médicos que precisam conciliar carreira, vida pessoal e especialização.
Em artigo publicado na revista Medicina S/A, Esther Bittencourt, diretora-executiva da Inspirali Pós Medicina, explica como esse modelo evoluiu e por que respeitar o tempo do médico se tornou parte da própria proposta de formação. A instituição combina teoria acessível no ambiente digital com práticas presenciais hands-on e contato com pacientes reais.
Leia o artigo completo de Esther Bittencourt na Medicina S/A.
Até onde alguém consegue esconder uma parte de si para ser aceito?
Essa pergunta atravessa Special, comédia dramática da Netflix criada, escrita e protagonizada por Ryan O'Connell e inspirada em sua autobiografia.
Na série, Ryan Hayes é um jovem gay com paralisia cerebral leve que busca independência, começa a trabalhar e deixa a casa da mãe. Quando seus colegas acreditam que suas limitações físicas resultam de um acidente de carro, ele sustenta a história para evitar o preconceito relacionado à deficiência.
Por trás do humor ácido, a produção aborda saúde mental, ansiedade social, autoimagem, pertencimento e vulnerabilidade.
Em duas temporadas, Special provoca uma discussão que também interessa a quem trabalha com saúde: quanto do sofrimento de uma pessoa está relacionado à doença e quanto pode surgir da maneira como a sociedade reage às diferenças?
É uma boa prescrição cultural para encerrar setembro pensando sobre aquilo que muitas vezes não aparece em exames, mas chega ao consultório junto com o paciente.
As notícias deste mês atravessam especialidades muito diferentes, mas compartilham um ponto: a Medicina muda enquanto o médico está atendendo.
Novas tecnologias chegam à Oncologia, medicamentos ampliam possibilidades terapêuticas, mudanças sociais alteram o perfil dos pacientes e questões antes pouco discutidas passam a fazer parte da consulta.
Acompanhar essas transformações faz parte de uma prática baseada em evidências, atenta à vida real e preparada para tomar decisões com mais segurança.
No próximo Radar Clínico, seguiremos acompanhando as novidades que ajudam a entender a Medicina para além das manchetes.
Aproveite que está por aqui e lei agora o nosso artigo sobre administração em saúde. Ele traz várias dicas interessantes para você.
Quais foram as principais novidades da Medicina em setembro de 2026?
Entre os destaques estão a aprovação do atogepanto para prevenção da enxaqueca, pesquisas com inteligência artificial para estimar o risco de recidiva do câncer de mama, discussões sobre gravidez em idade materna avançada, saúde mental dos médicos e segurança no uso das canetas emagrecedoras.
Quais são os riscos de uma gravidez após os 45 anos?
A idade materna avançada está associada a maior risco de condições como hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, parto prematuro e alterações cromossômicas. Cada gestação, entretanto, exige avaliação individualizada e acompanhamento pré-natal adequado.
É possível reutilizar a agulha de uma caneta emagrecedora?
Não é recomendado. As agulhas são desenvolvidas para uso único. A reutilização pode favorecer lesões, contaminação e infecções, além de comprometer as condições adequadas da aplicação.
Uma infecção causada por uma aplicação pode evoluir para sepse?
Uma infecção pode, em situações graves, desencadear sepse, condição caracterizada por disfunção orgânica potencialmente fatal decorrente de uma resposta desregulada do organismo à infecção.
Por que médicos precisam estudar sexualidade?
Questões relacionadas a desejo, disfunções sexuais, dor, relacionamentos, identidade, envelhecimento, doenças e efeitos de medicamentos podem surgir em diferentes contextos clínicos. Conhecer o tema amplia a capacidade de acolher, investigar e conduzir essas demandas.
Burnout é frequente entre médicos?
Sim. Estudos apontam alta prevalência de burnout na profissão médica e relacionam o problema a fatores como sobrecarga de trabalho e condições institucionais inadequadas. O esgotamento também pode afetar o bem-estar do profissional e a qualidade da assistência.
Um hemograma consegue prever a recidiva do câncer de mama?
O hemograma isoladamente não tem essa finalidade. O BreastOncoPredict é uma ferramenta experimental de inteligência artificial que combina informações clínicas e dados do hemograma para estimar riscos. O estudo é retrospectivo e a ferramenta ainda não possui uso clínico aprovado.
O que é o Aquipta e para que serve?
Aquipta é o nome comercial do atogepanto, medicamento oral aprovado pela Anvisa para prevenção da enxaqueca em adultos que apresentam pelo menos quatro episódios mensais. Ele atua como antagonista do receptor de CGRP.
Como a inteligência artificial está sendo utilizada na Medicina?
Entre as aplicações estudadas estão análise de dados clínicos, apoio ao diagnóstico, estratificação de risco e previsão de desfechos. O BreastOncoPredict é um exemplo recente de pesquisa que combina IA, dados clínicos e exames laboratoriais.