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SOMP: por que a Síndrome dos Ovários Policísticos mudou de nome?

Escrito por Lucas Flores | 23/09/2026

 

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das alterações endócrinas mais frequentes entre as mulheres em idade reprodutiva, está passando por uma importante atualização em sua nomenclatura.

Em maio de 2026, após mais de uma década de discussões científicas, um consórcio internacional de médicos e pesquisadores propôs a adoção do nome Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A mudança foi publicada no renomado periódico The Lancet (1)

A mudança busca ampliar a compreensão de uma condição historicamente associada às alterações ovarianas, mas que também envolve resistência à insulina, obesidade, desequilíbrios hormonais e riscos cardiovasculares. Além disso, nem todas as mulheres diagnosticadas apresentam ovários com aspecto policístico, o que reforça as limitações da nomenclatura anterior.

Mas o que essa atualização representa para a prática médica? Neste artigo, com base nas contribuições da Dra. Marise Tinoco e da Dra. Rosane Resende, coordenadoras do curso de Endocrinologia e Metabologia da Inspirali Pós Medicina, explicamos as características da síndrome, os motivos da proposta de mudança para SOMP e as implicações para o diagnóstico e o tratamento.

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O que é a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP)?

A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma condição endócrina complexa que afeta mulheres, principalmente durante a idade reprodutiva. Caracterizada por alterações hormonais e ovulatórias, também pode comprometer a saúde metabólica e psicológica, com repercussões que se estendem por diferentes fases da vida.

Segundo a Dra. Marise Tinoco e a Dra. Rosane Resende, a SOP afeta de 5% a 20% das mulheres, dependendo dos critérios diagnósticos utilizados e da população estudada. (2)

 

A origem da condição é multifatorial, envolvendo predisposição genética, mecanismos epigenéticos, alterações na função ovariana e hipotalâmica, hiperandrogenismo e resistência à insulina.

Tais fatores interagem de diferentes maneiras, o que explica a diversidade das manifestações clínicas.

Historicamente, a síndrome recebeu esse nome devido à presença de múltiplos pequenos folículos nos ovários, identificados por ultrassonografia.

Entretanto, essa característica pode estar ausente em mulheres diagnosticadas com SOP, enquanto alterações metabólicas e hormonais podem ocorrer independentemente da aparência dos ovários.

Quais são os principais sintomas da SOP?

Os sintomas da SOP variam conforme o perfil hormonal e metabólico de cada paciente, podendo envolver alterações menstruais, dermatológicas, reprodutivas, metabólicas e psicológicas.

Entre as manifestações mais frequentes, destacam-se:

Irregularidade menstrual

Os ciclos menstruais podem se tornar prolongados, irregulares ou até mesmo ausentes, condição conhecida como amenorreia.

Essas alterações estão frequentemente relacionadas à disfunção ovulatória, uma das principais características da síndrome.

Acne, hirsutismo e queda de cabelo

O hiperandrogenismo, caracterizado pelo excesso de hormônios androgênicos, pode provocar acne persistente, crescimento excessivo de pelos em regiões como o rosto e o tórax.

Além disso, pode causar alopecia de padrão feminino, que causa a redução da densidade capilar.

Dificuldades para engravidar

A ausência ou a irregularidade da ovulação pode comprometer a fertilidade, dificultando a concepção.

Entretanto, nem todas as mulheres com SOP apresentam infertilidade, e existem diferentes possibilidades de tratamento para aquelas que desejam engravidar.

Resistência à insulina e alterações metabólicas

A resistência à insulina pode estar associada ao aumento da adiposidade abdominal e à acantose nigricans, caracterizada pelo escurecimento e espessamento da pele, especialmente no pescoço, nas axilas e nas dobras corporais.

Essas alterações também podem ocorrer em mulheres sem obesidade.

Ansiedade e depressão

As mulheres com SOP apresentam maior predisposição a sintomas de ansiedade e depressão.

As alterações hormonais, as manifestações dermatológicas, as dificuldades reprodutivas e as questões relacionadas à imagem corporal podem contribuir para o sofrimento psicológico.

A intensidade dos sintomas varia consideravelmente. Algumas mulheres apresentam predominantemente alterações menstruais e reprodutivas, enquanto outras desenvolvem manifestações metabólicas importantes.

Essa diversidade clínica ajuda a explicar por que a comunidade científica passou a questionar uma nomenclatura centrada exclusivamente nos ovários.


Por que a SOP mudou de nome para SOMP?

A proposta de mudança da SOP para Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) foi apresentada em um artigo científico publicado em 12 de maio de 2026 na revista The Lancet. O documento é resultado de um processo internacional de consenso que envolveu pacientes, pesquisadores, profissionais de saúde e 56 organizações acadêmicas, clínicas e de representação de pacientes. (3)

Ao longo do processo, foram coletadas 14.360 respostas em pesquisas internacionais, sendo 10.411 de pessoas com SOP e 3.949 de profissionais de saúde. Também foram realizados encontros para discutir a precisão científica, a clareza e a aceitação cultural das possíveis denominações.

O principal argumento para a atualização é que a expressão ovários policísticos pode induzir à interpretação de que a doença envolve necessariamente cistos ovarianos patológicos. Na realidade, o aspecto observado na ultrassonografia corresponde principalmente à presença de múltiplos pequenos folículos.

Além disso, o nome anterior direcionava a atenção para a dimensão ginecológica, embora a condição envolva diferentes sistemas do organismo. Segundo os autores do consenso, até 70% das pessoas afetadas podem permanecer sem diagnóstico, o que reforça a necessidade de melhorar o reconhecimento da síndrome.

O que significa Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina?

A nova denominação reúne três dimensões fundamentais da condição:

Ovariana

Refere-se às alterações na função dos ovários, incluindo o desenvolvimento folicular, a produção hormonal e a ovulação. Preserva o reconhecimento da origem ovariana de parte das manifestações clínicas.

Metabólica

Reconhece a importância da resistência à insulina, da hiperinsulinemia e das alterações relacionadas à obesidade, ao metabolismo da glicose e aos fatores de risco cardiovascular.

Poliendócrina

Evidencia a participação de múltiplos mecanismos hormonais, incluindo alterações nos andrógenos, na insulina, nas gonadotrofinas e nos hormônios ovarianos.

O termo original aprovado pelo consenso internacional é Polyendocrine Metabolic Ovarian Syndrome, abreviado como PMOS em inglês. No Brasil, a denominação Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina vem sendo apresentada com a sigla SOMP.

A mudança de nome altera o diagnóstico e o tratamento?

A atualização da nomenclatura, por si só, não modifica os critérios diagnósticos nem determina novos protocolos terapêuticos.

O consenso publicado na The Lancet prevê um período de transição de três anos, durante o qual a nova denominação deverá ser incorporada progressivamente à literatura científica, aos materiais educacionais, aos prontuários eletrônicos e aos sistemas de classificação de doenças. (4)

A próxima atualização da Diretriz Internacional está prevista para 2028. Até lá, as recomendações clínicas de 2023 continuam sendo a principal referência internacional para o diagnóstico e o tratamento.

Como é feito o diagnóstico da SOP?

O diagnóstico da SOP continua baseado nos critérios de Rotterdam, estabelecidos em 2003 e atualizados pelas recomendações internacionais posteriores.

Em mulheres adultas, após a exclusão de outras condições que possam causar manifestações semelhantes, é necessária a presença de pelo menos dois dos três critérios: hiperandrogenismo clínico ou bioquímico, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística.

A Diretriz Internacional de 2023 incorporou a possibilidade de utilizar a dosagem do hormônio antimülleriano (HAM) como alternativa à ultrassonografia para avaliar a morfologia ovariana policística em adultas. Quando há hiperandrogenismo associado à irregularidade menstrual, esses exames não são necessários para estabelecer o diagnóstico.

Na adolescência, o diagnóstico exige tanto a irregularidade menstrual persistente, avaliada conforme o tempo transcorrido desde a menarca, quanto o hiperandrogenismo.

A ultrassonografia e a dosagem de HAM não são recomendadas para essa finalidade, devido ao risco de resultados equivocados.

Quais são os quatro fenótipos da SOP?

A síndrome apresenta quatro fenótipos clássicos, definidos pela combinação de hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística.

Fenótipo Características
A Clássico completo
Hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística.
B Clássico
Hiperandrogenismo e disfunção ovulatória, sem necessidade de morfologia policística.
C Ovulatório
Hiperandrogenismo e morfologia policística, com ciclos ovulatórios preservados.
D Não hiperandrogênico
Disfunção ovulatória e morfologia policística, sem hiperandrogenismo.

Os fenótipos A e B frequentemente apresentam maior comprometimento metabólico, enquanto o fenótipo D tende a apresentar manifestações androgênicas menos expressivas. Entretanto, o risco individual depende de outros fatores, incluindo adiposidade, histórico familiar e alterações metabólicas.

A identificação dessas características auxilia o planejamento do acompanhamento clínico, embora a classificação fenotípica não substitua a avaliação individualizada.

SOMP: quais são os impactos da síndrome na saúde metabólica?

A inclusão do termo metabólica na nova nomenclatura reconhece uma dimensão da síndrome que, durante muito tempo, recebeu menos atenção do que suas manifestações reprodutivas.

O artigo publicado na The Lancet destaca que a resistência à insulina, o excesso de andrógenos e a inflamação crônica de baixo grau interagem e contribuem para as alterações metabólicas. Essas manifestações podem estar presentes inclusive em mulheres que não apresentam obesidade. (5)

Resistência à insulina, obesidade e diabetes

A resistência à insulina é uma das principais características metabólicas da SOMP. Nessa condição, as células respondem de maneira menos eficiente à ação da insulina, levando o organismo a aumentar sua produção para manter a glicemia controlada.

A hiperinsulinemia resultante também estimula a produção ovariana de andrógenos, contribuindo para as alterações hormonais e ovulatórias.

A obesidade, especialmente quando associada ao acúmulo de gordura abdominal, pode agravar esse processo. Entretanto, mulheres com peso considerado adequado também podem apresentar resistência à insulina e outras alterações metabólicas.

Ao longo da vida, essas pacientes apresentam maior risco de intolerância à glicose, diabetes tipo 2, dislipidemia e hipertensão. Durante a gestação, também existe maior predisposição ao diabetes gestacional.

Qual é a relação entre a SOP e a microbiota intestinal?

A microbiota intestinal é uma das áreas de investigação sobre os mecanismos metabólicos da síndrome.

Alterações na composição dos microrganismos intestinais, conhecidas como disbiose, vêm sendo estudadas por sua possível associação com a resistência à insulina, a inflamação e a regulação hormonal.

A microbiota também participa da comunicação entre o intestino e o cérebro, influenciando mecanismos relacionados ao apetite, ao metabolismo energético e à produção hormonal.

Embora estudos recentes apresentem resultados promissores, ainda são necessárias pesquisas para determinar quais intervenções sobre a microbiota produzem benefícios clínicos consistentes em pacientes com SOP.

A SOP aumenta o risco de doenças cardiovasculares?

As alterações metabólicas associadas à síndrome podem aumentar o risco cardiovascular, especialmente quando coexistem obesidade, hipertensão, dislipidemia e diabetes.

Uma revisão sistemática citada no consenso de 2026 identificou maior ocorrência de eventos cardiovasculares em mulheres com a síndrome, predominantemente antes da menopausa. As estimativas indicaram razões de chances de 1,68 para doença cardiovascular composta, 2,50 para infarto do miocárdio e 1,71 para acidente vascular cerebral. Esses resultados descrevem associações populacionais e não permitem prever o risco individual de cada paciente. (6)

Por isso, o acompanhamento deve considerar a pressão arterial, o perfil lipídico, a avaliação glicêmica e outros fatores de risco, mesmo quando a principal queixa da paciente é ginecológica.

Como é feito o tratamento da SOMP?

O tratamento da SOMP deve considerar as manifestações clínicas, os fatores de risco metabólicos, a idade e os objetivos reprodutivos da paciente.

A abordagem pode envolver mudanças no estilo de vida, medicamentos para o controle hormonal e metabólico, tratamento da infertilidade e acompanhamento psicológico.

De modo mais específico, o tratamento envolve:

Alimentação, atividade física e mudanças no estilo de vida

As mudanças no estilo de vida são recomendadas desde o diagnóstico e devem acompanhar o tratamento ao longo da vida.

Entre as principais medidas estão a alimentação equilibrada, a prática regular de atividade física, a manutenção de hábitos adequados de sono e o manejo do estresse.

Padrões alimentares como a dieta mediterrânea podem ser considerados, especialmente por seus benefícios cardiometabólicos.

Entretanto, a Diretriz Internacional de 2023 não estabelece uma dieta específica como superior às demais para todas as mulheres com a síndrome.

A prática de exercícios também contribui para a saúde metabólica, inclusive quando não ocorre perda significativa de peso.

Metformina, anticoncepcionais e medicamentos para obesidade

A escolha do tratamento medicamentoso depende dos objetivos clínicos.

A metformina pode ser indicada principalmente para melhorar parâmetros metabólicos, incluindo a resistência à insulina e o metabolismo da glicose.

Os anticoncepcionais hormonais combinados podem auxiliar na regularização menstrual e no controle do hiperandrogenismo.

A escolha da formulação deve considerar os fatores de risco e as contraindicações individuais.

Em pacientes com sobrepeso ou obesidade e indicação clínica, medicamentos como a liraglutida e a semaglutida podem ser considerados para o controle do peso, associados às mudanças no estilo de vida.

O uso dos agonistas do receptor de GLP-1 exige atenção especial à contracepção, pois existem dados insuficientes sobre sua segurança durante a gestação.

A tirzepatida, que atua nos receptores de GIP e GLP-1, também exige cuidados, incluindo a possibilidade de redução da eficácia dos anticoncepcionais orais durante o início do tratamento e após aumentos de dose.

Essas recomendações devem ser individualizadas, considerando os benefícios, os efeitos adversos e os planos reprodutivos da paciente. (7)

SOP e infertilidade: quais são as possibilidades de tratamento?

A disfunção ovulatória é uma das principais causas de dificuldade para engravidar em mulheres com SOP. Entretanto, o diagnóstico da síndrome não significa que a paciente seja infértil.

Quando existe desejo reprodutivo, o tratamento depende da avaliação da ovulação e da investigação de outros possíveis fatores de infertilidade.

A Diretriz Internacional de 2023 recomenda o letrozol como primeira opção farmacológica para indução da ovulação em mulheres com SOP e infertilidade anovulatória, quando não existem outros fatores associados.

O citrato de clomifeno e a metformina podem ser utilizados em situações específicas. Em casos selecionados, também podem ser considerados tratamentos de reprodução assistida.

O acompanhamento antes da gestação deve incluir a avaliação metabólica, especialmente da glicemia, da pressão arterial e dos fatores de risco relacionados ao peso.

SOMP e saúde mental: por que o acompanhamento deve ser integral?

As repercussões psicológicas da síndrome também merecem atenção. Mulheres com SOP apresentam maior prevalência de sintomas de ansiedade e depressão, além de possíveis prejuízos na autoestima, na imagem corporal e na qualidade de vida.

A acne persistente, o hirsutismo, a alopecia e as dificuldades reprodutivas podem provocar sofrimento emocional. Além disso, as alterações metabólicas e as experiências de estigmatização relacionadas ao peso podem comprometer o bem-estar psicológico.

A própria nomenclatura anterior foi questionada durante o consenso internacional por sua associação excessiva à fertilidade, que pode representar uma fonte adicional de sofrimento em determinados contextos culturais. (8)

O acompanhamento deve incluir a investigação de sintomas psicológicos, com encaminhamento para profissionais de saúde mental sempre que necessário.

Como destacam a Dra. Marise Tinoco e a Dra. Rosane Resende, no artigo sobre a síndrome no Guia de A a Z:

Mulheres com SOP também apresentam maior predisposição a transtornos mentais, como ansiedade e depressão. 

A avaliação integral permite identificar necessidades que podem passar despercebidas quando o atendimento se concentra exclusivamente nas alterações menstruais ou na fertilidade. (9)

Da SOP à SOMP: o que essa evolução representa para a prática médica?

A atualização da nomenclatura representa uma oportunidade para ampliar a compreensão clínica da síndrome e aprimorar o acompanhamento das pacientes.

Ao reconhecer a participação de múltiplos mecanismos hormonais e metabólicos, a nova denominação reforça a necessidade de investigar manifestações que ultrapassam a esfera ginecológica.

O diagnóstico precoce, a identificação dos diferentes fenótipos e a avaliação dos fatores de risco permitem estabelecer estratégias de acompanhamento mais adequadas às necessidades individuais.

Do ponto de vista metabólico, quanto mais precoce for o início do tratamento, maiores são as chances de reduzir complicações futuras, como as doenças cardiovasculares.

A transição para SOMP também exige atualização dos profissionais de saúde, especialmente diante da evolução das evidências científicas e das recomendações internacionais.

Nesse contexto, a formação continuada em Endocrinologia e Metabologia contribui para uma prática clínica fundamentada em evidências, com atenção às diferentes manifestações da síndrome e às particularidades de cada paciente.

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Fontes consultadas:

(1 ) (3) (4) (5) (6) (7) (8) TEEDE, H. J. et al. Polyendocrine metabolic ovarian syndrome, the new name for polycystic ovary syndrome: a multistep global consensus process. The Lancet, v. 407, n. 10545, p. 2329-2339, 2026. Disponível em: < https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42119588/>. Acesso em: 22 set. 2026.

(2) (9) TINOCO, Marise; RESENDE, Rosane. Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). IN: IEGOROFF, Renan;et. Al. Guia de A a Z: hot topics essenciais para a prática médica contemporânea, Inspirali Pós Medicina: Porto Alegre: 2026.

Qual é o novo nome da SOP?

O novo nome proposto para a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A mudança foi apresentada em 2026 por um consenso científico internacional publicado na revista The Lancet. A nova denominação busca representar melhor as manifestações hormonais, metabólicas e reprodutivas da condição.

O que significa SOMP?

SOMP significa Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina. O termo ovariana reconhece as alterações na função dos ovários; metabólica destaca condições como a resistência à insulina e as alterações no metabolismo da glicose; e poliendócrina evidencia a participação de diferentes mecanismos hormonais. A denominação amplia a compreensão da síndrome para além de suas manifestações ginecológicas.

Toda mulher com SOP tem ovários policísticos?

Não. A presença de ovários com morfologia policística é apenas um dos critérios utilizados no diagnóstico da SOP. Mulheres que apresentam hiperandrogenismo e disfunção ovulatória podem receber o diagnóstico mesmo sem alterações na ultrassonografia. Essa característica foi um dos argumentos para a proposta de mudança da nomenclatura.

Quais são os primeiros sintomas da SOP?

Os primeiros sintomas da SOP geralmente aparecem durante a adolescência ou no início da vida adulta. Entre os sinais mais comuns estão a irregularidade menstrual, a acne persistente, o crescimento excessivo de pelos e a queda de cabelo. Algumas pacientes também apresentam resistência à insulina e alterações metabólicas. A intensidade e a combinação dos sintomas variam individualmente.

Como é feito o diagnóstico da SOMP?

O diagnóstico da SOMP continua seguindo os critérios clínicos utilizados para a SOP. Em mulheres adultas, geralmente é necessária a presença de pelo menos dois dos três critérios de Rotterdam: hiperandrogenismo, disfunção ovulatória e morfologia ovariana policística, após a exclusão de outras causas. A Diretriz Internacional de 2023 também permite utilizar o hormônio antimülleriano como alternativa à ultrassonografia em determinadas pacientes adultas.

A SOMP tem cura?

Atualmente, a SOMP é considerada uma condição crônica, sem cura definitiva estabelecida. Entretanto, seus sintomas e suas repercussões metabólicas e reprodutivas podem ser controlados. O tratamento é individualizado e pode incluir mudanças no estilo de vida, anticoncepcionais hormonais, metformina e outros medicamentos, conforme as necessidades e os objetivos de cada paciente.

Quem tem SOP pode engravidar?

Sim. Muitas mulheres com SOP conseguem engravidar espontaneamente. Entretanto, a irregularidade ou a ausência de ovulação pode dificultar a concepção. Quando necessário, existem tratamentos para estimular a ovulação, como o letrozol, recomendado como primeira opção farmacológica em determinadas situações. O acompanhamento médico também permite identificar e controlar fatores metabólicos que podem aumentar os riscos durante a gestação.

A semaglutida pode ser utilizada no tratamento da SOP?

A semaglutida pode ser considerada para o tratamento da obesidade em mulheres com SOP que apresentem indicação clínica, associada às mudanças no estilo de vida. Seus efeitos sobre o peso e o metabolismo podem beneficiar determinadas pacientes, mas o medicamento não trata todas as manifestações da síndrome. Seu uso exige avaliação médica individualizada e cuidados contraceptivos, pois não é recomendado durante a gestação.